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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Caçando Mariposas Crepusculares








Senti que amavas- me, mas talvez tenha sido um engano. Peguei uma linha cruzada e entrei sem o saber em conversa alheia. Senti, mas estivesse eu  atado ao império dos meus sentidos, diria que o ardente sol é na verdade e somente, uma pequena e chamejante bolinha  girando no céu em torno da terra (e quando estico minha mão para ele, confirmo pelos sentidos, que este efetivamente cabe no arco dos meus dedos). E tal qual os antigos trovadores, românticos incorrigíveis, desejaria roubá-lo do firmamento e com ele fazer um pingente que lhe adornasse a beleza.  Penso que tu ornarias o sol. 

Mas sou um que é dominado pela certeza de muitas dúvidas e só posso fazer poesia sobre a natureza frágil das coisas. Excesso de frugalidade em minha capacidade de iludir-me...


Lastimo não ter coisas doces a dizer-te, porque sou ainda um péssimo mentiroso, meu bem. Mas aproveito que estou levemente inebriado de tristeza (andei tomando toda uma safra de angustia destilada, misturada a muitas doses de amor amargas, mas macias e saborosas como absinto), para dizer-lhe que, deploro não ser o responsável por tantas lágrimas. Queria ser. Há de ser algo excepcional, ser capaz de  provocar tantas e sofridas lágrimas em alguem que se ama. 

Se fossem causadas por mim, eu as entesouraria  como um avaro guardando suas moedas! Eu as prezaria como o meu mais precioso adereço. Carregar para o sepulcro o arrependimento por ter partido um sublime coração, deve ser coisa capaz de bem valer ter vivido tanto, quanto certamente vale ter o próprio muitas vezes despedaçado. Corações partidos geram sonetos maravilhosos... Amores perdidos geram epopéias divinas....
Mas para tragédia minha, bem sei que sempre fui incapaz de despertar tanto o ódio mais vigoroso quanto o amor mais ardente. Sina dos poetas, eu creio. 

Receio que no fim, eu tenha de descer ao escuro sem a ventura de nunca ter ferido a quem eu tenha amado e esse é um pensamento estranho, mas o que mais poderíamos esperar de mim que tenho amado um sonho perdido?
Talvez se eu sangrasse um pouco mais acreditar-me-ias humano... Talvez se eu chorasse mais copiosamente comover-te-iam minhas lágrimas, que tanto mais escassas quanto mais sinceras, sendo minha incorreção ortográfica proposital. Um desatino qualquer poderia pintar-mais real no céu da tua imaginação.  Mas também sou carne e osso, ineficiente em teatralidade e isso confunde-te a razão.  

Aqui, minha criança, está um sapo que por mais beijado que seja, jamais metamorfosear-se-á em príncipe.  E a menos que teu coração seja capaz de enternecer-se com as delicadas palavras de um batráquio que não anseia ser príncipe, podes continuar a culpar-me por já não haverem muitos  contos de fada a venda no mundo. E eu queria muito que isso fosse culpa minha, porque é certo, minha alma inclina- se para o mal cada vez que imagino um mundo onde tu não existas. 

E eu odiarei os campos de trigo por me lembrarem que já não tenho os teus cabelos e as estrelas por causa de uma rosa que meus olhos não podem enxergar. E vou me acalentar e me consolar com sombras, e permitir seduzir-me por elas e seu toque macio.

Mas lá fora estão o sol, gigante que questiona a veracidade de meus sentidos, e as flores e cores e sons e todas as coisas belas deste mundo e também sei amar a estes e isso confunde-me um pouco.  Se te apetece à dor ou a uma obstinação do espírito, te vista de trevas, boneca quebrada que nunca foi meu brinquedo.  É possível que elas te ornem com maior primor do que o sol que eu quis roubar ao céu. É claro que amo-te como quem ama um sonho , mas tens que te lembrar:  por mais que eu queira, que tristeza....Eu não sou o titereiro da sua alma...

2 comentários:

  1. Sahge se um dia você escrever um livro com suas poesias lembre-se de não esquecer de me avisar.

    Eu sou definitivamente apaixonada por seu lirismo meu amigo e pelas canções que você cria com as palavras, apesar dos pesares sem poesia o mundo seria um lugar muito pobre e sem sentido de ser.

    Cheros, cheros... Saudades!!!

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  2. Cara Pandora,
    Minha satisfação por suas palavras minha amiga, só não supera as dimensões de minha vaidade ao lê-las pois sei que você possui um extraordinário bom gosto por causa do seu apreço pelo imortal Fernando Pessoa.
    Do fundo do coração, obrigado por gostar do que eu escrevo.
    Um livro?
    Vou ter de ver se na estante das minhas ambições há espaço para um projeto assim.
    Seria coisa interessante...Pouco rentável talvez, se eu estiver pensando em vendas, porque daquilo que o mundo mais necessita, curiosamente é aquilo que ele menos tem prezado.
    Isso é muito curioso...

    Uma idéia muito instigante...
    Vou deixar no terreno fértil e se vicejar em flor e der frutos, está claro que te enviarei uma cópia com o devido agradecimento pelo incentivo.
    Cheros!
    PS: Como vai o seu Mestrado?

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